Olho o nácar negro e brumo
da luz dos olhos que transpõem-se aos meus.
Vejo o poço de lítio escuro
da solidão de mil Romeus...
Estrada triste, caminho sem saída
Destino sem volta, atalho estreito.
Ninguém por ti passa sem que ainda,
Sentisse um fervoroso ruído que grita ao peito!
Como se outrora batesse fraco o coração,
-Este abutre que te fere-
uma brisa sem motivo e sem Razão
Que as volúpias confere,
De que chamar-te então,
se tanto amor e dor a ti concerne?
15.8.11
Pobre lobo
Coitado do infame ser
que gozava da embriaguez outrora;
Veio o crepúsculo alvorecer
com seus tristes-rubros raios de aurora
Destino cruel o que te espreita!
E pensar que sucumbirias tão jovem...
mas vivestes muito tempo em profundo 'fallen'...
O verme gordo do teu sangue se deleita.
Nada mais que nada
há de mostrar-te o infinito absoluto,
e perante a ele se aborrece, se enfada
Provável que aches isto demasiado absurdo,
E quando estás sozinho, ruges, brada
aos deuses que te castigam com a ponta da Alabarda.
que gozava da embriaguez outrora;
Veio o crepúsculo alvorecer
com seus tristes-rubros raios de aurora
Destino cruel o que te espreita!
E pensar que sucumbirias tão jovem...
mas vivestes muito tempo em profundo 'fallen'...
O verme gordo do teu sangue se deleita.
Nada mais que nada
há de mostrar-te o infinito absoluto,
e perante a ele se aborrece, se enfada
Provável que aches isto demasiado absurdo,
E quando estás sozinho, ruges, brada
aos deuses que te castigam com a ponta da Alabarda.
7.8.11
Soer do Ócio
Domingo.
Caminho sozinho...
Comigo o melhor amigo.
'Inda assim sinto o vazio sem carinho
Das claras e frias noites,
Dos quentes e vívidos bosques,
Das negras e sólidas dunas
E dos montes mortos onde espero que não me encontres.
O espero pois é meu refúgio,
Não que seja esconderijo o dito cujo.
Não sou muito confiável,
Não obstante não deves confiar nisto,
Sabes bem que sou instável,
Mas não é possível que não tenhas visto
O nácar de meu rosto a contemplar
O teu olhar.
Descobri em ti, da minha ópera, o tenor
Seu sorriso contemplava e sua veludosa voz ouvia,
E sua voz a todo instante me dizia:
Venha, aprecia o sabor do teu amor!
Eis a verdade mais pura:
Meu alvo desejo,
O meu mais íntimo segredo,
Assim como a música
Que sobre nós agora escrevo:
Qualquer coisa junto a ti é mais segura!
Quero passar cada vão momento
ao teu lado,
Quero que me confortes
quando estiver calado.
Quero que me abraces
sempre e a todo instante,
Quero que nunca te encontres
Refúgio maldito; és repugnante!
Caminho sozinho...
Comigo o melhor amigo.
'Inda assim sinto o vazio sem carinho
Das claras e frias noites,
Dos quentes e vívidos bosques,
Das negras e sólidas dunas
E dos montes mortos onde espero que não me encontres.
O espero pois é meu refúgio,
Não que seja esconderijo o dito cujo.
Não sou muito confiável,
Não obstante não deves confiar nisto,
Sabes bem que sou instável,
Mas não é possível que não tenhas visto
O nácar de meu rosto a contemplar
O teu olhar.
Descobri em ti, da minha ópera, o tenor
Seu sorriso contemplava e sua veludosa voz ouvia,
E sua voz a todo instante me dizia:
Venha, aprecia o sabor do teu amor!
Eis a verdade mais pura:
Meu alvo desejo,
O meu mais íntimo segredo,
Assim como a música
Que sobre nós agora escrevo:
Qualquer coisa junto a ti é mais segura!
Quero passar cada vão momento
ao teu lado,
Quero que me confortes
quando estiver calado.
Quero que me abraces
sempre e a todo instante,
Quero que nunca te encontres
Refúgio maldito; és repugnante!
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