17.3.13

Uma dúvida


Uma vez me perguntaram
Qual o valor de uma pergunta.
Desde então não parei de me perguntar
Qual seria a resposta que sanaria essa dúvida.

Qual o valor de uma pergunta?
Perguntas possuem um ‘valor’?

E o que podemos falar de valores em si?
O que é um valor?
Em que lugar eles se encontram?
Seria concreto, ou abstração?

E será que o valor valeria mais
Se valores não fossem tais,
Se fossem outros valores,
Seriam maiores, menores, piores, ou melhores?

Qual o valor de uma pergunta?
Perguntas possuem qualquer valor?

E se o valor da pergunta,
Fosse imensurável?
Seria de fato imperdoável,
Sanar a dúvida do que pergunta?

O que vale mais:
A resposta, ou a pergunta?
Qual o valor de uma resposta?
Qual o valor de uma pergunta?

3.11.11

Eis um momento de 'eternidade'

Se supormos que o sangue de quem ama de verdade é o tempo, o coração deste é capaz de criar paradoxos: Mesmo pulsando mais forte, o que faria o tempo passar mais rápido, faz com que cada segundo na ausência da pessoa amada torne-se séculos em sua imaginação.

18.10.11

O Ser Humano e a Guerra

É o que no mundo contemporâneo talvez mais me indigne. E a opinião vem logo de cara, bem estampada, porque as sutilezas muitas vezes não têm o poder que devem as palavras exercer perante assunto tão delicado. Talvez alguns discordem de mim, mas não peço a ninguém que concorde; nunca pedi e nunca pedirei neste blog, por favor. Mas pelo menos leiam com atenção.

O ser humano desenvolveu a sua racionalidade através dos séculos, segundo a ciência. Fato. No entanto, observamos no comportamento humano tendências de animosidade.
A evolução da técnica e da intelectualidade não garantiu até hoje, século XXI, que o ser humano largasse seu lado atroz. A pergunta que me faço é: "o que acontece dentro da mente do ser o humano, que o faz tender para tais atrocidades?". Você leitor deve estar se perguntando que raios de atrocidades são essas. Aqui vai a mais ridícula de todas no contexto do nosso tempo: a GUERRA.
O que leva o ser humano a guerrear? Será que o desenvolvimento tecnológico, que de suposto devia fazer de nossas vidas melhores, será a causa definitiva da ruína humana?
Diante dessas questões só consigo sentir indignação e repulsão a esta égide sombria.
Veja bem, o ser humano é capaz de diferenciar o bem do mal. Mas parece que este colocou sobre seus olhos uma venda, para que possa ignorar as consequências de seus atos. Afinal, quem é que enxerga benefícios na guerra, em detrimento dos malefícios da mesma? São milhões de refugiados, milhares de mortos, e se a escala tornar-se mundial, será o fim de toda raça humana. E o que ela traz de bom? Então alguém me diga, porque para tal pergunta não possuo resposta. Parto de um princípio básico: ninguém, e eu disse NINGUÉM, tem o direito de tirar a vida de outro ser humano, nem tem o direito de arrancar a própria vida. Quanto menos a de milhões de outros.

Outra situação que me deixa indignado em relação ao ser humano é a questão do descaso com a natureza. O ser humano já possui TUDO o que é necessário para resolver seus problemas com facilidade, no entanto continua a buscar, a explorar uma natureza que pede socorro cada dia mais alto. E sobretudo, é escusado dizer que enquanto uns esbanjam soberba, outras 1 bilhão de pessoas no mundo, cerca de 20% da população mundial, passam fome, vivem na extrema miséria. E o pior: não trata-se de falta de alimentos e de recursos, e sim de mesquinharia capitalista.
Simplesmente não posso aceitar que o homem no decorrer da história, vem se destruindo. E não só se destruindo, a condenar a si próprio e seus semelhantes, como também à biodiversidade em geral. Será que este homem seria capaz de parar de preocupar-se em idolatrar ao Deus Cifrão, e olhar, com seus olhos de humano, para seu próximo e para a natureza buscando ajudá-los? Acho muito difícil. É da natureza humana olhar para trás somente quando tudo se foi ou está perdido.

Por fim, será que é pedir muito, um pouco de humanidade?

17.10.11

Reflexão

O melhor que podemos fazer é esquecer. O esquecimento é essencial. Já imaginaram o que seria da vida se lembrássemos de tudo? Pois bem. Claro, não devemos nos esquecer de tudo - apenas o conveniente.
Esquecer as dores, as razões pelas quais vivemos, esquecer que existe o tempo, às vezes é bom. Esquecer que temos inimizades, muitas vezes, esquecer que mais de um bilhão de seres humanos passam fome no mundo.. esquecer que a vida é curta, que o mundo te condena a participar do teatro de sombras e a vestir as máscaras da hipocrisia para agradar ao "gosto superior", seja este lá qual for...
Esquecer enfim, de todo e qualquer problema ou limitação, seja na saúde, no amor, financeiro, familiar, acadêmico...
A vida é efêmera, e não sabemos se teremos outra chance ou continuidade para ela. Viva de modo a ser feliz. Mas não que somente você seja feliz; faça alguém ao teu lado sorrir, não só por piadas, mas por você estar ali, a fazê-la feliz também. A felicidade se encontra nos mínimos detalhes de nossa existência, nas coisas que somos incapazes de enxergar muitas vezes, por força de hábito.
Paramos de olhar para as coisas que gostamos em determinado momento da vida, e passamos então a olhar para tudo o que não gostamos. Passamos a negar. Seria melhor afirmar as coisas boas que existem. Viver o que é bom, o que o mundo tem de melhor, por pior que ele seja, sempre há uma luz no fim do túnel como dizem. Não se trata da esperança, mas de algo bom, algo em que podemos nos agarrar.
Agarre-se no amor. Faça seu parceiro(a) feliz. Esteja sempre ao lado dele(a) e nunca o/a deixe desamparado(a). Não há ferida que dói mais do que aquelas que vêm de quem se ama. Ame intensamente, e não tenha medo de demonstrar. Faça com que sua presença seja notada e que sua ausência sentida.
Quem sabe assim, nós possamos viver num mundo menos difícil, com menos desamor, menos trevas e menos infelicidade!

23.8.11

Baiser de mépri (Ósculo de esguelha)

Olho o nácar negro e brumo
da luz dos olhos que transpõem-se aos meus.
Vejo o poço de lítio escuro
da solidão de mil Romeus...

Estrada triste, caminho sem saída
Destino sem volta, atalho estreito.
Ninguém por ti passa sem que ainda,
Sentisse um fervoroso ruído que grita ao peito!

Como se outrora batesse fraco o coração,
-Este abutre que te fere-
uma brisa sem motivo e sem Razão

Que as volúpias confere,
De que chamar-te então,
se tanto amor e dor a ti concerne?

15.8.11

Pobre lobo

Coitado do infame ser
que gozava da embriaguez outrora;
Veio o crepúsculo alvorecer
com seus tristes-rubros raios de aurora

Destino cruel o que te espreita!
E pensar que sucumbirias tão jovem...
mas vivestes muito tempo em profundo 'fallen'...
O verme gordo do teu sangue se deleita.

Nada mais que nada
há de mostrar-te o infinito absoluto,
e perante a ele se aborrece, se enfada

Provável que aches isto demasiado absurdo,
E quando estás sozinho, ruges, brada
aos deuses que te castigam com a ponta da Alabarda.

7.8.11

Soer do Ócio

Domingo.
Caminho sozinho...
Comigo o melhor amigo.
'Inda assim sinto o vazio sem carinho
Das claras e frias noites,
Dos quentes e vívidos bosques,
Das negras e sólidas dunas
E dos montes mortos onde espero que não me encontres.
O espero pois é meu refúgio,
Não que seja esconderijo o dito cujo.

Não sou muito confiável,
Não obstante não deves confiar nisto,
Sabes bem que sou instável,
Mas não é possível que não tenhas visto
O nácar de meu rosto a contemplar
O teu olhar.
Descobri em ti, da minha ópera, o tenor
Seu sorriso contemplava e sua veludosa voz ouvia,
E sua voz a todo instante me dizia:
Venha, aprecia o sabor do teu amor!

Eis a verdade mais pura:
Meu alvo desejo,
O meu mais íntimo segredo,
Assim como a música
Que sobre nós agora escrevo:
Qualquer coisa junto a ti é mais segura!

Quero passar cada vão momento
ao teu lado,
Quero que me confortes
quando estiver calado.
Quero que me abraces
sempre e a todo instante,
Quero que nunca te encontres
Refúgio maldito; és repugnante!